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Olá, sou o professor PhD Marcos Crivelaro. Estou aqui junto com a Solana para trazer aprendizado neste curso introdutório sobre Web3 e blockchain. Você vai aprender os conceitos e os fundamentos. O curso está muito legal. Faça ele inteirinho, até o final.
Todos os dias você publica fotos, você está nas redes sociais, você sobe notícias da sua vida. Isso já faz parte do seu dia a dia. Mas imagine que, num determinado dia, você acorda e tudo isso sumiu. Porque essas redes sociais pertencem às grandes big techs, e de repente você não tem mais nada disso. Como é que você se sentiria?
Isso significa que você gosta do serviço que essas empresas prestam. As big techs, com as suas redes sociais, possuem produtos e serviços maravilhosos. Mas pertencem a elas, sob as regras delas. E muitas vezes até você tem que pagar.
Então, é por isso que nós vamos falar de Web3 e blockchain. Porque sai dessa lógica de que tudo isso é delas. Isso também pode ser seu. Por isso você vai fazer este curso.
Vamos usar o exemplo das cidades inteligentes, as smart cities. As ruas representam a internet. Os prédios representam os sites e as aplicações da web.
Vamos explicar um pouquinho a diferença entre internet e web, porque o pessoal se confunde. A internet é a infraestrutura que conecta redes, computadores, celulares e outros dispositivos. A web é um sistema de páginas e aplicações interligadas que funciona sobre a internet. Na nossa cidade digital, a internet corresponde às nossas ruas e avenidas. E a web corresponde aos prédios e serviços construídos nessas ruas.
Para que equipamentos diferentes consigam trocar dados, todos precisam seguir regras comuns. Essas regras são chamadas de protocolos de comunicação.
O TCP/IP, conjunto de protocolos de controle de transmissão e endereçamento na internet, organiza a comunicação entre redes. O DNS, sistema de nomes de domínio, ajuda a localizar os endereços dos sites. O HTTP, protocolo de transferência de hipertexto, é utilizado na comunicação entre navegadores e servidores da web.
Você não precisa decorar as siglas. Basta entender que esses protocolos funcionam como as regras de trânsito da cidade.
Fiz uma pesquisa aqui e trago para vocês. Em 1989, o cientista britânico Tim Berners-Lee trabalhava no CERN, a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear. Ele propôs um sistema para facilitar o compartilhamento de informações entre pesquisadores. A ideia era conectar documentos por meio de ligações chamadas hiperlinks.
Em 1990, Berners-Lee desenvolveu componentes fundamentais da web, incluindo um navegador, um servidor e a linguagem HTML. Em 1993, o CERN disponibilizou a tecnologia abertamente, favorecendo sua expansão mundial.
E aí nasceu a Web1. Esse nome não representa um período de datas exatas. É uma classificação didática, com as características predominantes de como a web era na década de 90. Vamos entender melhor?
A primeira fase da web ficou conhecida como Web1. Naquele período, muitos sites eram formados por páginas relativamente simples e com pouca interação. As empresas apresentavam produtos, as universidades apresentavam pesquisas e os jornais, as suas notícias. Então você conseguia ler notícias de jornais internacionais.
Vamos fazer a analogia aqui com a smart city. Nessa época da Web1, era uma web de leitura. Poucas pessoas tinham conhecimento técnico para publicar seus próprios conteúdos. Então imagine uma cidade com poucos prédios, alguns prédios de biblioteca, alguns prédios de comércio. Um bairro com pouca coisa, com pouco movimento e poucos imóveis.
A Web2, não vou entregar a minha idade, mas eu vivi. Eu fui um dos primeiros a gostar de publicar em blog. Os meus blogs mais antigos são dessa época. Você não precisava mais ser um expert de programação para criar um website. As coisas começaram a ficar mais fáceis.
Essa Web2 ganhou uma característica de participação da comunidade. Uma web participativa. É aí que surgiu a essência das redes sociais. Todo mundo quer participar. Uma rede social morre se o pessoal não participa.
Não só as redes sociais. Lá atrás também tinha muito essa questão de o conteúdo ser criado de uma maneira colaborativa. Por exemplo, a Wikipedia: o sucesso da Wikipedia, onde as pessoas colaboravam na criação de conteúdo. Hoje isso ainda acontece bastante. Você tem sites como o GitHub, onde você coloca material, pode ser um software, por exemplo, e as pessoas podem colaborar até na programação e na escrita daquele documento que também pode estar publicado lá. Então a colaboração, guardem, é o ponto principal da Web2.
Vamos entender melhor o conceito de efeito da rede? Se as pessoas não publicam suas fotos, se no marketplace as pessoas não colocam nada para vender, esse site morre. Esse é o efeito da rede. Não adianta ter a tecnologia. As pessoas precisam começar a usar e fazer trocas entre elas.
Mas aí tem um problema que eu vou te contar. As plataformas facilitaram a comunicação e o acesso à informação. Entretanto, também concentraram os dados e as decisões. Publicamos conteúdos e construímos nossa reputação dentro desses sistemas administrados por essas empresas.
É como utilizar uma casa construída sobre um terreno que pertence a outra pessoa. Podemos usar o espaço, mas o proprietário define as regras. Uma plataforma pode alterar o algoritmo, limitar as publicações e até suspender as suas contas ou encerrar um serviço.
Isso não significa que essas plataformas sejam ruins. Só significa que esse modelo possui um controlador central e cria uma relação de dependência.
Esse tipo de questionamento nos traz para a Web3. O termo está associado a blockchain, carteiras criptográficas, ativos digitais e aplicações que podem funcionar sobre uma infraestrutura distribuída.
Na Web3, nós temos três termos que você precisa conhecer.
A wallet, ou carteira criptográfica, é uma ferramenta utilizada para controlar as chaves digitais e autorizar operações. A carteira permite controlar as chaves necessárias para movimentar os ativos.
O token é uma unidade digital registrada conforme as regras de uma rede.
O smart contract, ou contrato inteligente, é um programa executado pela blockchain.
Para compreender a Web3, imagine um cartório digital cujo registro não está armazenado somente em um computador central. Diversos computadores mantêm e verificam cópias do histórico, seguindo regras comuns.
Esse registro distribuído pode ser implementado por uma blockchain, termo que significa cadeia de blocos. As informações são agrupadas em blocos conectados criptograficamente. Nenhum participante pode modificar sozinho o histórico reconhecido pela rede.
A blockchain não torna toda informação automaticamente verdadeira. Ela ajuda a preservar e verificar aquilo que foi registrado segundo as regras do sistema. Essa ressalva é fundamental. A tecnologia protege o registro, mas não garante por si só que toda informação inserida corresponda à realidade externa.
A Web1 pode ser comparada a uma cidade formada por edifícios institucionais, ruas de mão única e grandes painéis informativos. Poucas organizações construíam e controlavam os prédios digitais, enquanto a maioria das pessoas circulava pelas páginas e consumia o conteúdo disponível, sem participar de sua criação.
Os sites funcionavam como vitrines. Podíamos olhar, consultar e ler, mas quase não existiam espaços para interação. Não havia blockchain nem carteiras cripto. As regras, os registros e as autorizações permaneciam centralizados nas mãos dos proprietários de cada edifício virtual.
A Web2, que a gente ainda vive, representa uma cidade mais movimentada, com praças digitais, redes sociais, aplicativos, serviços sob demanda e edifícios conectados. Os moradores deixam de ser apenas espectadores e passam a criar conteúdos, avaliar serviços, compartilhar informações e interagir em tempo real.
Entretanto, as grandes plataformas funcionam como proprietárias dos edifícios, das ruas e dos sistemas de controle. Armazenam os dados, definem as regras de circulação e podem permitir, limitar ou impedir o acesso. Embora o usuário participe intensamente da vida urbana digital, sua identidade e seus bens continuam guardados em sistemas centralizados, como se cada prédio exigisse um cadastro, uma chave e um regulamento diferente.
Finalmente, a Web3 pode ser entendida como uma cidade inteligente construída sobre a blockchain, que funciona como um registro urbano compartilhado, transparente e resistente a alterações indevidas.
As carteiras cripto atuam como identidade, assinatura e chave digital do cidadão, permitindo acessar edifícios, realizar pagamentos, comprovar propriedade e interagir com os serviços, sem depender, obrigatoriamente, de uma única empresa intermediária.
Os edifícios representam aplicações descentralizadas. As ruas são as redes blockchain, pelas quais circulam dados, ativos e transações. E os contratos inteligentes funcionam como regras urbanas, executadas automaticamente quando determinadas condições são atendidas.
Nota editorial. Na Solana, um contrato inteligente só é executado quando uma transação o chama.
Nessa cidade, cada blockchain pode possuir sua própria arquitetura, velocidade, custos e normas de governança, enquanto pontes digitais conectam diferentes redes. Assim, o cidadão deixa de ser apenas usuário de plataformas e passa a controlar melhor sua identidade, seus ativos e sua participação na economia digital. Mas ainda são necessários planejamento, segurança, inclusão e boa governança para que essa nova cidade seja verdadeiramente inteligente.
Ao encerrarmos este primeiro vídeo, você não deve ficar apenas com a impressão de que é um monte de tecnologia, um monte de tecnologia nova. Não, é uma nova visão. É uma discussão ampla, que busca entender quem está controlando as suas informações, os seus ativos, os seus imóveis.
É isso que a Web3 traz de novidade. Ela traz confiança, traz a governança disso de uma maneira descentralizada, traz transparência e rastreabilidade.
No próximo vídeo, nós entenderemos mais, principalmente essa analogia de toda essa tecnologia com as cidades inteligentes, porque aí vai ficar mais fácil para você entender. Aguarde o próximo vídeo e até mais.
A internet são as ruas, a web são os prédios, os protocolos são as regras de trânsito. A Web1 foi a cidade das vitrines, a Web2 é a cidade das plataformas e a Web3 é a cidade inteligente, onde a pergunta é uma só: quem está controlando as suas informações e os seus ativos?
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